A importância do “brincar” na Escola, Ângela R. Madeira

A importância do “brincar” na Escola, Ângela R. Madeira*
Atualmente o “brincar” tem sido muito valorizado pelos educadores. Talvez nem todos os pais tenham consciência disso e esta matéria tem justamente o objetivo de esclarecer a questão, que muitas vezes entra em contradição com as expectativas em relação a uma boa escola.
Durante muito tempo, acreditou-se que em nome de um dia chegar a ser um grande homem, ou um adulto bem formado, era importante, de certa forma, sacrificar a infância, em busca de uma pré-escolarização. Acreditava-se que a criança, durante a fase de 0 a 6 anos, precisaria ir sendo preparada para um dia ser alguém. Como se a infância não tivesse tanta importância. Atualmente, sabe-se que a criança já é um sujeito de direitos.
Tanto é, que na LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/96) – todas as definições em relação à educação da criança mudaram. A criança não é mais encaminhada a uma Pré-Escola e sim a uma Escola de Educação Infantil. De acordo com as mais atualizadas concepções mundiais de “infância” e “educação”, esta definição, propõe que a criança não tem que deixar de viver a infância, em nome de uma pré-escolarização precoce. Outro fato que contribuiu para este avanço, em relação à defesa dos direitos da criança, foi o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA – considerado um dos mais avançados do mundo.
Paralelamente a isso, o papel da mulher na sociedade também mudou. O trabalho feminino, seja por necessidade, seja por opção, trouxe como conseqüência a necessidade de tornar coletivo o cuidado e a educação da criança pequena.
A criança sai de sua casa e passa grande parte do seu tempo, na escola. Além disso, o crescimento das cidades trouxe uma urbanização desplanejada e muita violência. Tudo isso pode ser considerado como um preço a ser pago pela modernidade. Mas, infelizmente, neste caso, a conta foi paga pelas crianças. O preço dessas mudanças refletiu na diminuição de seu tempo e de seus espaços para brincar.
A criança é um ser brincante, é através da brincadeira que ela entende o mundo. Portanto, as Escolas de Educação Infantil têm hoje que dividir com os pais a responsabilidade de incentivar a criança a tomar decisões, seguir regras, organizar-se, suportar frustrações, elaborar construções e, principalmente, brincar. É verdade que, através do lúdico se aprende muito mais, mas a brincadeira não pode ser apenas um instrumento para que a aula seja mais eficiente. A brincadeira tem um sentido em si, porque somos seres lúdicos, tanto quanto seres conscientes, intelectuais etc. Entenda como brincadeira as tradicionais de roda, as de faz-de-conta, os momentos de parque e os jogos de tabuleiro.
A idéia fundamental é que a sociedade, formada pela família e pela escola, dê condições para que a criança viva como tal, que permita que ela tenha todas as dimensões, ações, informações e vivências. Uma boa escola, para a criança pequena, é aquela que garante o tempo de brincar “nutritivamente”.
*Ângela R. Madeira é ludo-educadora e diretora da Academia de Brinquedos/Assessoria em Marketing Cultural - Tel: (11) 4994-0326
Publicado em 01/01/2005

