Programa de Amparo Educativo amplia acesso ao Ensino Superior privado, Gabriela Izique

Programa de Amparo Educativo amplia acesso ao Ensino Superior privado
por Gabriela Izique
O SEMESP – Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo – criou duas formas que prometem inovar o sistema de ensino superior no Estado. O primeiro é o novo Programa de Amparo Educativo, criado pelo Semesp, em parceria com o Centro Brasileiro de Educação Superior (Cebrade), e tem como conceito fundamental dar ao aluno a possibilidade fazer o pagamento das mensalidades em seu valor total ou parcial após a conclusão do curso, com até um ano de carência.
E o segundo foi a criação de um instrumento que deverá ser um grande banco de dados sobre o ensino superior do Estado de São Paulo.
Para a concessão de bolsas do programa de amparo educativo, as faculdades e universidades analisam cada candidato e suas necessidades individuais e passam para o Cebrade fazer a análise socioeconômica. O candidato deve ter um fiador ou avalista, o que, segundo Catsuhar Yamamura, assessor financeiro e assistente administrativo do Cebrade, “garante credibilidade e adesão ao projeto”.
O procedimento básico para as faculdades participantes do programa é pré-selecionar o estudante e estabelecer um desconto ou porcentual sobre o valor da mensalidade que dará origem ao valor do benefício. Do fiador será exigida uma comprovação de renda de, no mínimo, três vezes o valor correspondente a um mês do benefício. “Os valores de matrícula e eventuais dependências ficam a cargo do aluno pagar. E não há incidência de juros. O valor das parcelas sempre equivalerá ao valor atualizado do curso vigente na instituição”, pontua Yamamura.
O benefício poderá ser cancelado caso haja o trancamento da matrícula, abandono do curso ou aproveitamento acadêmico inferior a 75% no último período letivo da conclusão regular do curso. No caso de cancelamento do benefício, as parcelas deverão ser pagas, mensalmente, a partir do mês do cancelamento.
Com relação aos estágios, Yamamura é taxativo: “Promovemos os estágios curriculares em empresas que seguem corretamente a legislação – e não aquelas que querem mão-de-obra barata”.
Yamamura conta que a idéia do Centro surgiu da necessidade de criação de um mecanismo que permitisse o ingresso e a permanência do aluno sem condições econômicas numa faculdade ou universidade particular. “Criamos primeiramente uma Fundação, que evoluiu, e, em 2002, deu forma ao Cebrade.” O Centro é uma associação sem fins lucrativos criada pelo Semesp em parceria com 18 Instituições de Ensino Superior (IES) a ele associadas, com objetivos voltados ao crescimento e ao fortalecimento do ensino superior particular.
O Cebrade também desenvolve projetos e programas para concessão de bolsas e incentivo à pesquisa para alunos e professores. “O programa pode ser estendido também para empresas que contribuam para o desenvolvimento do País, promovam alavancagem profissional dos indivíduos ou tenham compromisso com a responsabilidade social”, explica Yamamura.
Por meio de cursos e programas de extensão, palestras, simpósios, seminários e eventos culturais e educacionais, o Cebrade promove a reciclagem do corpo docente e dos funcionários das instituições de ensino. O Centro faz parcerias com instituições de ensino superior e com as empresas públicas e privadas, governos federal, estadual, municipal e outros organismos, nacionais ou internacionais, especializados em fomento a pesquisas.
O Cebrade oferece serviços de assessoria e consultoria às instituições de ensino superior e a outras entidades, em regime de parceria, na busca de soluções para problemas de natureza técnica, administrativa ou financeira.
Uma dessas parcerias do Semesp é o novo Banco de Dados do Ensino Superior do Estado de São Paulo. O Sindata, como é chamado, armazenará as informações sobre ensino superior e irá gerar estatísticas, análises, pesquisas e demonstradores que ajudarão os usuários a entenderem melhor sobre ensino superior na atualidade. As informações serão fornecidas pelas instituições que se associarem. Por exemplo, as notas de um simulado feito por alunos de certa universidade. Ela disponibiliza esses dados, juntamente com os índices de outras IES. Será importante para saber como está o aproveitamento geral do aluno no ensino superior nesse tipo de avaliação. E depois servirá de instrumento para pesquisas, estatísticas.
A ferramenta permite aos associados fazerem consultas em busca de indicadores que serão úteis para tomadas de decisões, para pesquisas de mercado e até para mostrar a realidade apresentada pelos gráficos do atual mercado. “É provável que façamos uma parceria com o IBGE, para que os usuários tenham um acesso completo também sobre economia”, revela Marcos Valdívia, diretor executivo do Cebrade.
A segurança das informações fornecidas será garantida pelo sistema de criptografia, um processo de segurança protegido por uma senha pessoal e intransferível que garante a não violação dos dados. As informações que estarão à disposição serão sempre gerais, em módulos ou por estatísticas. Jamais, por exemplo, as pessoas poderão acessar as informações particulares das instituições.
Cada dado fornecido para o sistema gera a possibilidade de que a entidade receba bonificações especiais. Como a “moeda” Sindibonus, bonificações pagas em unidades que serão creditadas em uma conta corrente identificada por um código, que dará a oportunidade de consultas personalizadas, estudos segmentados e outros produtos.
“O Semesp, por meio de novas ferramentas e com o atual programa de interiorização, com as jornadas regionais, a participação ativa em Fóruns Nacionais, discutindo a Reforma Universitária e à livre iniciativa educacional, visa a contribuir para uma adequada referência Universitária no País”, finaliza Valdívia.
Publicado em 01/01/2006

