Guia Escolas - Perguntas frequentes

Geralmente as crianças se desenvolvem em diferentes metodologias quando bem aplicadas e com a assistência de profissionais competentes, duas exceções se apresentam:
• A criança ou jovem apresenta necessidades muito específicas (disléxicos se dão melhor em propostas fonéticas de alfabetização, por exemplo). Uma criança hiperativa não se adéqua a estruturas muito rígidas ou que não ofereçam possibilidade de movimentação por largos períodos de tempos.
• A família escolheu uma escola com cujos valores não se identifica, a família é liberal e opta por uma escola de normas pouco flexíveis; a identificação de valores em disciplina e crenças dão melhor segurança ao filho e ao aluno que não se depara com regras diferentes e até opostas no seu cotidiano.
A escola ideal é a que acolhe o aluno e sua família, que oferece respostas às expectativas ou que sabe redimensioná-las à realidade dos indivíduos que compõem o universo familiar.

Os países do Hemisfério Norte, em sua maioria denominados de desenvolvidos, oferecem escola de período integral às crianças e aos jovens; o tempo de permanência na escola oscila entre seis e oito horas/dia. O meio período escolar não foi estabelecido por características psicológicas ou pedagógicas da infância e da juventude, mas por normas de estabelecimentos de ensino e de governos. Permanecer na escola em período integral é saudável, desde que todos os envolvidos no processo (escola e família) acreditem nessa possibilidade e que esta seja a opção e não a falta dela.
Outras possibilidades dependem da realidade familiar e da realidade da comunidade onde a família está inserida. Na França, existem projetos onde avós dão assistência a netos em locais para isso organizados. O interessante é que alternativas sejam procuradas para atenderem valores e crenças e não a culpas.

A classe que atende crianças de 6 anos é o primeiro ano do Ensino Fundamental (antigo pré). Esta sala de aula, como prevê a legislação brasileira, deve ser similar às da Educação Infantil, ou seja: deve propiciar movimentação organizada, utilizar muitos jogos e materiais pedagógicos que possibilitem o uso das mãos (criança aprende mexendo em objetos e coisas); o foco da aprendizagem está na aquisição da leitura e escrita e nos princípios matemáticos - sistema de numeração, operações fundamentais e desenvolvimento do raciocínio lógico. As demais áreas do conhecimento que devem constar obrigatoriamente do currículo são: Ciências, Estudos Sociais, Artes e Educação Física, outras áreas podem ser acrescidas a critério da escola.
Você conhece o seu filho melhor do que ninguém, por isso, tente imaginá-lo nas estruturas que lhe são apresentadas e escolha aquela que proporcione conforto, segurança e bom desenvolvimento acadêmico ao seu filho e não aos seus sonhos.

A escola deve ter valores similares aos seus e, neste caso, estará trabalhando junto com você as posturas inadequadas do grupo de meninas, que pode estar passando por uma fase de enfrentamento - se forem adolescentes - ou experimentando limites da professora, do próprio grupo ou das famílias.
Analise as posturas que você classifica como inadequadas, localize a sua origem (É a novela do momento? Algum padrão de “reality show”?). Use os critérios de frequência (As posturas aparecem sempre ou em algumas ocasiões específicas?), intensidade (Todas usam com a mesma densidade ou umas são mais suaves que outras?) e extensão (há quanto tempo isso acontece?). Após as suas reflexões, se concluir que são hábitos instalados e que estes não incomodam a escola e as demais famílias se conclui que houve uma escolha inadequada e você deve pensar na transferência de sua filha para outro estabelecimento.
P.S. Não tinha referência da idade de sua filha, não pude adequar os exemplos.

As escolas estão preparadas para atender uma diversidade de alunos com diferentes personalidades e necessidades, portanto, em princípio, irmãos podem e devem (também porque facilita a estrutura familiar) frequentar a mesma escola; a presença de irmãos mais velhos é saudável para a adaptação dos mais novos. Há exceções e nestas cada caso deve ser analisado nas suas singularidades e não por regras gerais; se o mais novo necessita de algum atendimento especial, precisamos efetuar uma análise mais acurada da estrutura da escola em relação às necessidades do caçula.

A lição de casa deveria prescindir de auxílio dos pais, pois a escola não pode prever a disponibilidade destes; hoje pai e mãe são responsáveis pelo caixa da família e os projetos pedagógicos devem considerar esta realidade.
Veja por que seu filho necessita de tanta ajuda:
• Ele não estaria usando as tarefas como recurso de ter presença física (ficar ao lado de...); neste caso tente não ficar o tempo todo ao lado dele, dê instruções e saia.
• Está defasado em relação aos colegas, não tem a base necessária para desenvolver os trabalhos; procure a professora e se certifique desta hipótese, não espere a entrega das avaliações, providencie auxílio de reforço e recuperação.
• Não se organiza para fazer as tarefas no período inverso ao da escola, deixando para “de noite”; prepare uma agenda e estabeleça um contrato, deixando bem claro as responsabilidades e as sanções para o seu não cumprimento.
• Verifique se as tarefas não exigem tempo demasiado (este varia de acordo com a idade e tempo de escolaridade), neste caso marque uma entrevista com a coordenação pedagógica e converse a respeito de suas observações.
As possibilidades acima não são excludentes entre si, podem aparecer em duplas, trios ou todas. Conversar com a escola é sempre a melhor solução, faça isso individualmente apresentando a realidade do seu filho, acompanhe as soluções e volte a conversar caso os resultados não sejam satisfatórios.

Mudanças podem ser benéficas ou não, depende do motivo que a provocou. Muitas famílias mudam de endereço por necessidades profissionais de um dos pais ou de ambos, tudo depende de como encaramos a mudança, se ficarmos lamentando o que ficou para trás, o presente fica enlutado por muito tempo e pode trazer marcas que afetarão o hoje e o amanhã.
Alguns cuidados ajudam a amenizar as perdas (elas são inevitáveis nesta e em outras circunstâncias): manter contato com os amigos da escola anterior através de visitas, programas em comum (se for na mesma cidade) ou da internet e do telefone se a distância for maior. Fazer um álbum de boas lembranças (fotos, relatos) e falar muito sobre o que ficou, não construir tabus, pois estes são causas de sofrimentos desnecessários.
Alguns cuidados quanto aos conteúdos curriculares são importantes, pois nem todas as escolas oferecem o mesmo percurso e há de se oferecer ajuda quando necessário e pedir paciência com alguma repetição de matérias. As mudanças não são necessariamente causas de distúrbios quando tratadas como desafios da vida e não como obstáculos.

Conflitos físicos são esperados nessa faixa etária (menos a mordida, que é característica de fases anteriores), analise extensão (há quanto tempo acontece isso), intensidade (como o seu filho lhe conta o caso, tem muita mágoa, ou é razoavelmente “normal”; ele tem medo desse colega?) o importante é ver a reação do seu filho e não a sua. Frequência (acontece todos os dias, uma vez por semana?); tente ser imparcial nessa análise (é difícil, muito difícil). Qual é o papel do seu filho nos conflitos? Provoca? É passivo? Aceita provocação com facilidade? Fica paralisado e não reage? O resultado da “briga” tem trazido consequências como hematomas ou só orgulho ferido?
As conclusões da sua análise indicarão a atitude a ser tomada, se os dados não forem consistentes, pode ser que você esteja dando muita importância aos fatos e a raiva é sua e não do seu filho. Se suas observações são fortes, marque uma entrevista com a coordenação ou direção da escola (ah! autodefesa não se constrói a partir de agressividade) e juntas decidam as providências a serem tomadas (expulsão é processo muito complexo e por isso mesmo só é realizado em circunstâncias extremas).
Decisões dessa natureza devem ser tomadas com a cabeça fria, a “leoa” que mora dentro de todas as mães tende a atacar quem mexe com seus filhotes (eu também sou leoa, mas aprendi a ver os meus filhotes com suas qualidades e defeitos, e posso lhe garantir que o processo é longo e árduo). Educar os filhos exige que eduquemos a nós mesmos o tempo todo.

por Edimara de Lima
A família e a sociedade estão preocupadas em como preparar a geração, que neste momento se constrói, para assumir o novo mundo do século 21. Perguntas nos assombram como pais e como educadores: Quais serão as características do mercado de trabalho a ser enfrentado por nossos filhos e netos? Qual o perfil de uma pessoa bem-sucedida? Estarão as escolas preparadas para atender a estes novos objetivos? Como garantir a sobrevivência econômica de nossos herdeiros? Como garantir o equilíbrio emocional e afetivo? Como lhes proporcionar felicidade?
O início do século vem sendo marcado por mudanças rápidas em todos os níveis - social, político, econômico, tecnológico - trazendo a necessidade de uma nova escola.
A velocidade espantosa das conquistas tecnológicas exige maleabilidade e adaptabilidade, portanto aprender a aprender deverá ser o objetivo de toda a educação no século 21.
As escolas dividem-se, em primeira instância, em dois grandes troncos:
• Tradicionais, as que têm no ensinar o centro de seu processo, portanto o aluno deve adequar-se à escola;
• Renovadas, as que têm no aprender o seu maior objetivo e portanto a escola deve adequar-se ao aluno.
As escolas renovadas possuem algumas características comuns:
• O aluno é o centro do processo pedagógico;
• A função do professor é de mediar e facilitar a aprendizagem;
• Os conteúdos são meios para se desenvolver o conhecimento e a habilidade de aprender;
• Descartam a “escolarização” do conhecimento ou a falsa erudição;
• O “compreender” é mais valorizado do que o “memorizar”.
• A leitura compreensiva, crítica e a autoria de textos são objetivos primordiais;
• A família é parceira ativa e imprescindível do processo educacional;
• A valorização da qualidade e não da quantidade, da vida e não apenas do homem, os processos e não as prescrições (receitas, fórmulas) e a cooperação ao invés da competição.
Celestin Freinet, Maria Montessori e Rudolf Steiner desenvolveram metodologias que permanecem vivas e atuais em seus princípios. Jean Piaget, Lev Vigotsky e Paulo Freire foram pensadores e pesquisadores que revolucionaram a pedagogia e suas obras foram bases a metodologias de aprendizagem.
Especificidades advindas de posturas filosóficas ou produto de pesquisa diferenciam as metodologias renovadas, que são adotadas na íntegra ou parcialmente pelas escolas da atualidade.
Celestin Freinet - a leitura, a escrita, a realidade do meio em que a escola está inserida, jogos, desenhos livres, aulas-passeio e a correspondência interescolar são os instrumentos desta metodologia francesa que através da elaboração de jornais, diários e relatórios promove a cultura do conhecimento. Freinet lutou por conteúdos vinculados à vida, pelo trabalho gerador de prazer e pela valoração igualitária entre atividades manuais e intelectuais.
Maria Montessori - a única mulher entre os grandes educadores citados, tinha na visão sistêmica, na auto-educação e na ciência as bases do seu pensamento; a heterogeneidade das suas classes e o uso exaustivo de material concreto são suas características pedagógicas mais fortes aliadas à promoção da autonomia e a construção da Paz Universal, objetivos maiores da casa-escola sonhada pela educadora italiana que se declarou “cidadã universal” e recebeu três indicações ao Nobel da Paz.
Rudolf Steiner - a Antroposofia foi o alicerce do seu pensamento pedagógico tendo no currículo voltado às necessidades evolutivas do homem através do cultivo das atividades físicas, artísticas e artesanais, em todas as suas faces, a marca maior das Escolas Waldorf. O professor, orientador que acompanha seus alunos por todo o percurso da Educação Fundamental permite uma relação mais profunda e profícua, pois possui uma visão abrangente deste período.
Jean Piaget - pesquisou a aquisição do conhecimento pela criança e de seu trabalho nasceu o Construtivismo, processo pedagógico elaborado por seus seguidores. A escola construtivista possui ambiente que propicia a observação e a manipulação de objetos e situações, através das quais o aluno constrói seu conhecimento. A mediação do professor e grupos de aprendizagens interativas são características desta escola.
Lev Vigotsky - é o pai do sociointeracionismo; sua teoria privilegia a interação social como o grande instrumento pedagógico. A escola vigotskiana tem na linguagem o seu maior objeto de desenvolvimento, pois esta permite a experiência compartilhada que promove o amadurecimento das funções da inteligência, a compreensão e o desenvolvimento dos papéis e funções sociais. Partir do social para o individual é o percurso das atividades escolares preconizado pelo educador bielo-russo.
Paulo Freire - os aspectos político-sociais são a base do seu pensamento pedagógico; para este educador brasileiro o homem necessita viver a democracia desde os bancos escolares e é na troca, no diálogo professor-aluno, que o conhecimento é desenvolvido. A realidade que cerca a comunidade-escola deve fornecer os elementos de análise e pesquisa para educadores e educandos. A “leitura do mundo” é meio e fim da educação freiriana.

* Edimara de Lima, psicopedagoga e coordenadora pedagógica do Congresso Saber 2003

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